O que são as janelas de desenvolvimento cerebral nos primeiros 3 anos e por que elas importam para decisões pedagógicas e de gestão?
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Do ponto de vista neurológico, os primeiros anos de vida são o período mais intenso do desenvolvimento humano, e o que ocorre com bebês e crianças até os seis anos tem consequências que se estendem para toda a vida.
Isso coloca profissionais da ponta e gestores num papel que vai além de suprir necessidades básicas, apesar de sua importância. Garantir que as crianças tenham as experiências certas, nos momentos certos, é uma responsabilidade técnica e uma forma de intervenção que nenhuma política posterior consegue replicar com o mesmo custo e o mesmo efeito.
A neurociência documenta isso: o cérebro na Primeira Infância tem uma plasticidade que não se repete em nenhuma outra fase da vida, está constantemente aprendendo e é altamente sensível ao que acontece ao seu redor. Cada experiência deixa marca e cada interação reorganiza conexões.
As células cerebrais de um bebê podem formar até um milhão de novas conexões neurais por segundo (uma capacidade que vai diminuindo de forma consistente com o tempo). São essas conexões que constroem a base das estruturas responsáveis pela aprendizagem ao longo da vida: habilidades emocionais, cognitivas e sociais se formam com muito mais facilidade nesse período do que em qualquer outro. O mesmo vale para a capacidade intelectual, as aptidões e as competências que a criança vai carregar.
Daí vêm as chamadas "janelas de oportunidade" – períodos específicos em que o aprendizado de determinadas habilidades acontece de forma mais natural e eficiente quando a criança vivencia experiências adequadas. Elas não ficam abertas para sempre, mas não se fecham de vez, o que muda é o esforço necessário para produzir o mesmo resultado depois que esse período passa.
Até o primeiro ano de vida, as janelas abertas são as dos sentidos: a criança está receptiva a tudo, de histórias à música, das variações na fala ao contato físico. Essas experiências aperfeiçoam as ligações neurais das regiões sensoriais do cérebro. Esse processo se estende até os dois anos, quando se estruturam os circuitos da compreensão linguística. Quanto mais vocabulário a criança ouve nessa fase, mais rica tende a ser a sua capacidade de expressão mais tarde.
Até os cinco anos, a percepção de formas se consolida. A linguagem, que vinha amadurecendo, passa a se integrar à habilidade motora. É quando a criança anuncia o que vai fazer e então faz – as ações deixam de ser reativas e passam a ser intencionais. A partir dos cinco ou seis anos, o cérebro começa a se especializar: os hemisférios assumem funções mais definidas, abre-se a janela da lateralidade e da direcionalidade. Dança, natação e esportes no geral são vivências que o cérebro está pronto para desenvolver. É também quando a criança começa a colecionar experiências e tirar conclusões.
Ainda assim, vale destacar que cada criança tem seu próprio ritmo, e atropelá-lo tem consequências concretas. Por exemplo, bebês de sete ou oito meses colocados em andadores para vê-los andar antes do tempo podem começar a andar mais cedo, o problema é que o desenvolvimento motor segue uma ordem funcional, e forçar etapas pode resultar em problemas posturais e ortopédicos mais tarde.
Estimular não é acelerar. É criar as condições para que a habilidade se desenvolva quando o cérebro está preparado. Para a leitura e a escrita, o estímulo mais eficaz é oferecer livros, contar histórias, ofertar riscantes e materiais de registro na hora certa.
O educador que conhece as janelas de desenvolvimento planeja diferente para definir com mais precisão quais experiências oferecer, em que formato, com que frequência. Como organizar o tempo e o espaço para que cada criança encontre o que precisa no momento em que está pronta para receber.
As experiências da Primeira Infância têm efeitos que aparecem décadas depois: desempenho escolar e profissional, saúde física e mental, menor envolvimento com situações de risco social. Esse é o argumento para que decisões pedagógicas e de gestão sejam tomadas com a seriedade que essas fases exigem.
Uma Primeira Infância bem cuidada é fundamental para que as crianças alcancem todo o seu potencial no presente e no futuro.



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