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TODA CRIANÇA TRAZ DENTRO DE SI O PODER DE IMAGINAR UM MUNDO DIFERENTE

  • 25 de fev.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 27 de fev.

Toda criança traz dentro de si o poder de imaginar um mundo diferente! Cada criança traz dentro de si um mundo diferente e a capacidade de imaginar! Cada família, cada geografia, cada língua, cada cultura, cada povo, cada ancestralidade, favorece uma variedade de imaginários. Cada materialidade carrega consigo uma forma particular de fazer sentir, pensar, expressar: o som, a tinta, a argila, o lápis, a folha, a pedra, o mar, as árvores…


Se “cada criança tem sua própria melodia” (escutei essa frase num filme), cabe ao adulto educador, aos professores e professoras oferecer oportunidades de experimentar o mundo nas diferentes formas de conhecê-lo: palavra, música, pintura, escultura, desenho, arquitetura, brincadeiras, alimentos, cheiros, ritmos…Como bem nos lembra Richter (2016, p. 27), o que “alimenta o processo histórico das produções e transformações culturais é a conjunção entre pensamento e sensibilidade, entre inteligência e intuição, entre razão e imaginação”, sendo igualmente importantes todas elas para compreender e se situar no mundo, imaginando e criando novas possibilidades.


A criança não fragmenta o mundo, ela percebe-o com seus sentidos e sentimentos, construindo significados na convivência e com as possibilidades de linguagem que lhe são oferecidas pelos adultos com quem convive. A imaginação de um mundo diferente no sentido de um mundo mais bonito, saudável e feliz, é nutrida por uma convivência afetiva com a linguagem e com a vida. “A imaginação se alimenta” das histórias que lhe são contadas, das canções que lhe são entoadas com carinho em cada nota. Ela também se alimenta de pausas. Um mundo de ruídos excessivos, estímulos excessivos, aleatórios e extremamente fragmentados, ou seja, um mundo sem pausas para contemplar, enxergar, escutar não favorece que a criança tenha tempo, espaço e se sinta convidada a imaginar e assim criar novos mundos possíveis.


Para imaginar novos mundos importa brincar, experimentar, sentir, expressar, cantar, significar e ressignificar experiências desde a infância para que a liberdade de criar permaneça. Aqui, vale citar Nussbaum:


A diferença entre brincar e o que se considera uma ocupação séria não deve ser a diferença entre a presença e a ausência da imaginação, mas a diferença entre os materiais com os quais se ocupa a imaginação... E isso incluiria praticamente tudo que interessa: uma conversa com um amigo, o estudo das transações econômicas, uma experiência científica (NUSSBAUM, 2015, p. 103).


Importa, assim, que as crianças percebam que “existe uma dimensão criativa em todas as suas interações e considerar que as obras de arte são apenas uma das esferas nas quais se cultiva a imaginação”. (NUSSBAUM, 2015, p. 103) Nesse sentido, é necessário que seja garantido às crianças oportunidade de convivência e experiência ao longo do tempo numa diversidade de repertórios que lhes convide a imaginar e confiar na sua imaginação para criar novos e belos mundos.


Texto baseado na dissertação de doutorado da professora Clarice Bourscheid: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/202405

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